Instalar grupos geradores em empreendimentos, tendo como proposta assegurar o pleno fornecimento de energia para os clientes, era um procedimento pouco usual no Brasil.
Diante do racionamento da eletricidade produzida em larga escala, a procura por esses equipamentos aumentou consideravelmente, estimulando maior produção, importações e o aparecimento de novos fornecedores no mercado.
Entretanto, como o racionamento de energia ainda é recente no país, poucas informações foram divulgadas sobre o funcionamento, a instalação e a manutenção dos grupos geradores. Os principais fornecedores do setor traçam um panorama do mercado brasileiro. Todos têm clientes nos setores da alimentação fora do lar e hoteleiro. Atendem qualquer região do país.
Utilidade
Geralmente o emprego de grupos geradores atende a duas situações básicas. O primeiro tipo de utilização refere-se às emergências: quando há uma interrupção da energia fornecida pela concessionária, independente da causa, o equipamento entra em funcionamento automaticamente, permitindo que o empreendimento continue a funcionar. Nesse caso, é comum o abastecimento somente de pontos vitais, como as áreas coletivas e de segurança. No segundo caso, a utilização vincula-se ao horário de ponta, das 17 às 20 horas, quando o consumo é maior e o custo da energia é alto. Nesse período, o equipamento entra em funcionamento, geralmente, para suprir parte da carga necessária para o abastecimento.
Com o racionamento da energia fornecida pelas concessionárias, os empreendedores estão instalando grupos geradores visando atingir a meta determinada pelo governo (20% a menos de consumo) e se assegurar de que não serão vítimas de um possível apagão.
Os entrevistados enfatizam que a solução de uso do equipamento depende, exclusivamente, das necessidades do empreendedor: cada caso é um caso. Entretanto, eles apresentam algumas considerações que podem nortear a decisão dos compradores.
Daniel Herrera, gerente da área de geradores da Atlas Copco, equaciona: "em termos de custo - benefício, dispor de grupos geradores que garantam o total funcionamento do empreendimento é uma necessidade. Se um hotel ficar sem energia, corre o risco de perder o cliente, portanto, seguramente o valor investido é insignificante perto do prejuízo. Sabe-se que um dos mais conceituados empresários brasileiros tem 55% de autonomia de energia em suas empresas.
Para o gerente comercial da Leon Heimer, Ronaldo Porto, a hotelaria é um dos setores que mais necessita ficar imune ao racionamento para não denegrir sua imagem. Endossando essa opinião, o diretor geral da Megatech, José Luís Mondelo, acrescenta: para melhor relação custo - benefício, é preciso aprofundar as pesquisas sobre a co-geração, aproveitando o calor expelido para aquecer ambientes ou a água. Sobre isso, Ardisson Vaz, técnico de venda da Polimac, ressalta: "a grande vantagem de utilizar grupos geradores a gás é a possibilidade de manter a co-geração interna, ou seja, através do mesmo equipamento, obter energia elétrica e térmica. Essa última produzida pelo recuperador de calor que utiliza os gases da combustão do motor".
Lembrando que os grupos geradores dificilmente competirão com o fornecimento de energia em grande escala, o diretor geral da Megatech frisa que, ao longo dos anos, a energia elétrica teve preço reduzido no Brasil e foram desprezadas as formas alternativas de geração. Agora, diante da iminência do colapso do sistema, é essencial investir em pesquisa.
Para Antônio Alvarenga, diretor da TechniCargo, a situação reinante está reeducando o brasileiro, tanto o empresário quanto o cliente/consumidor, pois um kw (quilowatt) gasto influencia na vida econômica e social do país. Evitar desperdício é a meta.
Mercado
Os grupos geradores movidos a gás natural ou GLP, produzidos no Brasil, têm motores importados, pois no país são fabricados, somente, os modelos a diesel. Vem de outros países motores com potência superior a 500kVA (quilovolt-ampère). Ao dar essas informações, os fornecedores acrescentam que os equipamentos a diesel e a gasolina são ruidosos e expelem poluentes na atmosfera. Os motores a gás não têm esse problema e são mais econômicos do ponto de vista operacional, mas o investimento inicial é maior.
Para amenizar o ruído, observando as recomendações dos órgãos vinculados ao meio ambiente, os grupos geradores podem ser instalados em cabinas insonorizadas ou montados em salas com tratamento acústico, cujo custo varia de 20% a 30% sobre o preço do produto. O gerente comercial da SDMO, Carlos Ambrus, informa que o ruído do equipamento fornecido aberto (sem proteção acústica) atinge a 105 dBA a um metro de distância e se silenciados, esse índice fica em torno de 80 dBA.
Os grupos geradores são utilizados em diferentes setores, por isso, têm diversas potências, partindo de 1 kVA. Traçando um paralelo, o gerente da Atlas Copco explica que um grupo gerador com 100 kVA pode fornecer energia para acionar 800 lâmpadas de 100 watts. Baseando-se em instalação já executada, o diretor da TechniCargo, cita: para alimentar partes internas de um hotel, com 60 apartamentos, é suficiente um equipamento com 180 kVA, mas cada caso é um caso, pois a potência necessária depende da carga utilizada no prédio.
Instalação
A maioria dos fornecedores entrevistados descreve o mesmo procedimento quanto ao atendimento ao cliente. Diante da solicitação de um orçamento, representantes visitam o local para fazer um levantamento de dados, obtendo informações sobre a quantidade de energia necessária para atender às expectativas. Nisso são considerados, entre outros fatores, as áreas que serão atendidas pelos grupos geradores e o uso que terão.
Após essa pesquisa, conclui-se qual o equipamento é adequado à situação e o local onde será instalado - seja do tipo aberto, em sala com tratamento acústico ou em cabinas insonorizadas. Verificam-se quais obras civis são necessárias.
Essas conclusões são apresentadas ao cliente e, mediante a sua aprovação, uma equipe externa se desloca ao local com o material necessário para deixar o grupo gerador funcionando. As obras para instalação dependem das condições do empreendimento. De acordo com os entrevistados, cada caso é um caso.
Alguns entrevistados, como o gerente desta área da Chicago Pneumatic, Paulo César Marino, frisam que, quanto às obras para a instalação, os clientes podem contar com a equipe dos próprios fornecedores, optar por trabalhar com uma empresa especializada instalação ou com um eletricista do local.
Na opinião de Paulo Amaral, diretor da Roura & Cevasa vinculada à RC Turbodiesel do Brasil, antes da instalação, os empreendimentos deveriam procurar uma orientação junto aos consultores especializados.